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[QUEST OP] A survivor

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[QUEST OP] A survivor

Mensagem por Styr em Qui Jul 07, 2016 4:48 am

A survivor

O que é um mercenário? É um soldado que trabalha em troca de soldos sem ligações patrióticas, ideais ou fidelidade. E ultimamente esse significado estava sendo um incômodo para Jakub. Não podia nem mesmo ir até as tavernas onde apareciam serviços porque não sabia se mais mercenários apareceriam para causar sua morte.

Jakub precisava sair de Pentos imediatamente, mas para conseguir lugar em um navio precisaria de moedas o suficiente e para isso precisaria de um trabalho.

Pouco tempo depois de sair do local onde estava hospedado Jakub pode ouvir dois comerciantes discutirem arduamente e num ímpeto de coragem se aproximou de um deles após a discussão com uma proposta, poderia cuidar do rival por um preço. E o velho aceitou com uma condição: tudo teria que parecer um acidente ou o valor da recompensa caíra em 2 terços.

Se Jakub conseguisse cumprir aquilo, poderia arranjar um barco para onde quisesse. Poderia começar de novo em algum lugar e fazer algo que fizesse a diferença no mundo.


๑ ๑ ๑

+ O início da quest deve ocorrer em uma manhã qualquer após o ataque que sofreu. Quero que descreva bem os sentimentos de Jakub e porque ele está cansado e procurando algo maior.

+ O porque dos dois comerciantes estarem brigando está aberto para que você decida, lembre-se que se que deve parecer um acidente.

+ Encerre a quest quando estiver no porto de Pentos decidindo seu próximo destino, caso tenha cumprido o contrato de maneira silenciosa terá dinheiro o suficiente para ir para qualquer lugar conhecido, caso não tenha sido de maneira silenciosa terá o suficiente para ir para qualquer lugar em Essos.

+ Prazo de postagem de 15 dias.

+ Não use templates muito pequenos nem cores cegantes.

+ Esta é uma quest OP de dificuldade média, para Jakub Gerhardt.

+ Assim que postar na quest, avise por MP.





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Re: [QUEST OP] A survivor

Mensagem por Jakub Gerhardt em Qui Jul 07, 2016 11:11 pm



Hell on Wheels

You ain't got no business here, boy.

O mundo seria um local melhor se começássemos a castrar os humanos.

Não sabia explicar a razão, mas o pensamento surgiu em sua mente assim que os primeiros raios de sol cruzaram a pequena janela do puxadinho e colidiram contra seu rosto. Deveria existir uma forma melhor de morrer, mas no instante em que se jogou daquela ponte feito um esquilo voador, ele não pensou nisso. Na realidade, continuar pensando no assunto não melhorava em nada seu atual estado, fosse físico ou mental. Talvez se tivesse se deixado ser arrastado por Aeron até Toregg tudo pudesse ter sido diferente. Conhecia bem o antigo parceiro, apesar dos pesares ele era do tipo que te dá certo conforto, uma bebida, uma prostituta, uma noite de histórias memoráveis até finalmente passar o machado em sua cabeça.

Rangeu os dentes enquanto colocava-se sentado na cama de pedra com uma supérflua camada de trapos para amenizar a real desgraça que era aquilo. Pensando bem não deveria questionar a sorte, deveria venerar a deusa sorte, fazer oferendas e tudo mais, o tanto de situações inóspitas que ele havia passado e ainda assim saído vivo era uma benção maldita. Gemeu, de dor obviamente, durante as últimas semanas até os gemidos de prazer eram embebidos de uma dor nada agradável, cortesia de Aeron e seus capagandas. – Cara... – As palavras que viriam em seguidas estancaram feito os passos de uma mula teimosa ao ver o par de crianças ainda pequenas na porta. – Caramujo banguela aleijado! – Não teve o menor sentido, nem nexo, nem coerência, nem nada que se pudesse cobrar, mas as mentes infantis não tardaram a rir em pura inocência das palavras emboladas e apressadas que escaparam mais rápido do que ele poderia prever.

Como tinha parado ali mesmo? Sorte. Não havia melhor resposta. Uma rápida retrospectiva contorna os fatos. Faziam exatamente três semanas e um par de dias, tempo insuficiente para uma recuperação efetiva, mas você já viu algum mendigo reclamar de esmola? De um jeito improvável e quase milagroso, depois que ele se jogou da ponte no episódio inédito em que um suicida parecia se suicidar para salvar a vida, Jakub cambaleou sem rumo por aquela zona nada turística de Pentos. Parece estranho, e é estranho, mas é verdade. Ele estava num ponto certo entre o Vivo-Morto e o Morto-Vivo, até finalmente cair inconsciente e ser achado pelas duas crianças que agora corriam até sua cama para abraça-lo.

A estadia desfrutando da bondade e hospitalidade de quem já pouco dia tocou Jakub de forma que lâmina alguma poderia tocar. Foi salvo porque além de ser encontrado pelas crianças a mãe deles teve o bom grado de leva-lo até o puxadinho e cuidar dele até que recobrasse os sentidos cinco dias depois do ocorrido. Três semanas foram tempo suficiente para cativar e ser cativado, transar com a jovem viúva e ser aceito pelos dois filhos dela. Também foi o tempo para seu braço parar de parecer que ia cair e ele chegar à incrível marca de caminhar pela casa sem mancar. Que ótimo destino para um mercenário, de predador à presa.

– Aonde você vai? – Interrogou-lhe a mulher que acabara de chegar no exato instante em que vestia o manto marrom sobre a camisa surrada.
Esticar as pernas antes que elas encolham. – As crianças riram novamente, a viúva não parecia convencida, já ele, não disse mais nada.
– Você volta? – Lançou a segunda pergunta feito uma flecha recheada de carga emotiva.
Com um presente em mãos, de preferência. – Evitou encará-la, por mais que soubesse dos ossos do ofício tinha um enorme coração fraco contra mulheres. Nada é tão flexível como a língua da mulher, tão pérfido como os seus remorsos, nada é mais terrível do que a sua maldade, nada é mais sensível do que as suas lágrimas. E era dessas últimas que ele temia.
– Você não nos deve nada. – Ela rebateu cheia de amor, um abraço por trás bastou para fazer suas pernas bambearem feito as de um jovem apaixonado.
Devo mais do que tenho e gosto de pagar minhas dívidas. A última que deixei em aberto quase me levou a morte, como podemos ver. – Não precisou de uma maestria invejável em acrobacias para escapar do abraço. Saiu da casa humildade o mais rápido que pôde, dividindo um misto entre querer ficar e não poder ir.

Jakub estava perdido, não literalmente falando, ainda conhecia bem as ruas de Pentos. Encontrava-se perdido entre seus anseios e desejos. Viveu até hoje segundo a crença que seus únicos amigos são seus dentes e às vezes eles ainda o traem e mordem sua língua. Preferia evitar certos hábitos, amor e amizade, sem dúvida não eram algo para ele, a única coisa que podia dar e oferecer era a fidelidade, às vezes medida por um saco de moedas, às vezes pela crença de um mesmo ideal. No entanto, algo não parecia certo nesse emaranhado de decoro que ainda preservava.

Estava cansado daquela vida, mesmo sendo a única vida que conhecera. Matar, roubar, espionar ou simplesmente encher as fileiras de algum exército informal ou gangue. Foi uma vida boa, tinha certeza, passou por coisas que a maioria das pessoas jamais passaria. Não tinha a pretensão de ser podre de rico, gordo por causa da gula ou ter um harém recheado de virgens. Ele queria algo mais palpável, talvez agora, chegando aos meados dos “vinte”, ele queira um objetivo. Agora, havia chegado um desses momentos na vida de um homem, onde nada que ele já possui basta, pois nada que ele tenha pode lhe oferecer a paz de espírito que ele deseja. No caso de Jakub, já havia sangue o suficiente manchando seu corpo e impregnando sua alma, sem motivo aparente. Moedas medem vidas, não iria duvidar dessa certeza, mas talvez, e somente talvez, pudesse fazer a única coisa que sabia faze bem, em prol de algo maior que si mesmo.

Um homem é mais que suas vitórias solitárias; repetiu inconscientemente para si mesmo, talvez se o velho não tivesse morrido anos atrás, ele pudesse lhe dar um de seus típicos puxões de orelha. Um homem é a soma de suas ações. Cada decisão, não importa quão pequena, atesta sua integridade. E o equilíbrio em seu coração.

E em seu peito bate o coração de um leão. Mas por qual razão ele bate?

Palavras pesadas ouvidas uma única vez, mas o suficiente para agitar a mente mais quieta. O mercenário cessou seus passos assim que chegou ao que parecia uma zona comercial naquele subúrbio. O caos de vendedores e seus produtos, clientes agitados atrás de promoções, não demorou muito, é claro, para uma confusão tornar-se a diversão local. Um verdadeiro circo para aqueles de menor aquisitivo. Ele subiu em alguns caixotes empilhados apenas para ter a visão limpa e, sem preocupação alguma, tomar uma das frutas que escapavam dos caixotes e comer despreocupadamente.

– Eu estou neste mercado desde antes de suas bolas descerem moleque, crie algum juízo! – Não se sabe ao certo como o mais velho dos dois conseguiu tanto fôlego para soltar suas palavras, mas ele as fez. Parecia perto de ter um ataque cardíaco, mas ao mesmo tempo parecia ser macaco velho, a teimosia em pessoa indisposta a abaixar a cabeça. – Os tempos mudam, ancião! – Sentia-se o veneno escorrer pelos cantos da boca do mais jovem entre os dois. – Estou te dando outra opção, é melhor que aceite, pelo seu próprio bem!

Eram dois homens, aparentemente dois comerciantes. O mais velho, magro e encurvado, os olhos pareciam ameixas podres. Era o tipo de pessoa que parece que irá voar com a mais fraca das brisas. Careca e repleto de marcas senis, não ostentava luxo algum além das vestes de cor púrpura, cor difícil e cara de se conseguir através do tingimento de tecidos. O mais jovem era gordo feito um porco, cabelo raso e escuro, pele marcada. A face parecia a de um peixe mórbido e inchado, mas acima de toda aquela banha acumulado percebia-se com facilidade os ornamentos caros.

– A proposta permanecerá até amanhã. Irá me pagar tributos ou vender sua posse neste mercado, caso contrário é melhor aceitar os fatos, há um novo rei por aqui. – Brandou o porco-humano tentando criar algum ar de superioridade apesar de mal conseguir erguer o queixo sem as pelancas pesarem. – Você não tem um pingo de honra rapaz, vai ser o rei de quê? Mal consegue enxergar essa pequena protuberância que tem entre as pernas!! – O idoso foi corajoso naquele momento, e incrivelmente estúpido. O ato de arremessar algumas moedas na direção do homem apenas consagrou a atuação, aquilo era humilhante para quem deveria ganhar respeito.

A careta que se estampou na face do mercenário foi icônica, sendo mero telespectador como boa parte das pessoas ali, aquilo era um show completo. O sujeito com peso claramente acima do recomendado virou-se contra o velho. A multidão clamava para que o pior não ocorresse. Dois, três, quatros homens que mais pareciam a fusão de ratos com fuinhas e uma pitada bem generosa de capivaras. Não importava a forma como se visse aquele ato de rebeldia, era um forte golpe, fatal por assim dizer. O gordo sabia disso.

Os dedos gordos quase sem circulação pela pressão dos anéis colidiram frontalmente contra a face do velho. Foi perda total. A plateia gritou em uníssono vendo o nobre desafiante nocauteado pelo campeão. De onde estava o mercenário poderia jurar que havia sido perda total, mas o velho tentou levantar-se, apesar de seus esforços serem inúteis. Desmoralizado e talvez até jurado de morte o pobre senhor jamais teria chance contra alguém que pesava cem quilos a mais que ele. Por sorte, sempre a sorte, o melhor mercenário da região estava por perto, isso numa visão bem humilde é claro.

Você está vivo ou morrendo em pé, meu senhor? – A voz um tanto quanto animada do mercenário chegava com facilidade surpreendente do velho que fora prontamente acudido por alguns populares e, agora encontrava-se sentado num banquinho de madeira perto do que seria a sua quitanda. – Quem é? É outro dos guarda-costas de Varn Snapper? Não bastou o que acabei de passar? – Aproximando-se do velho a visão do mal estado era clara. Não é mentira que, passada determinada idade até o menor dos escorregões no banho tornam-se fatais. Para a sorte do ancião quase cadavérico, a morte parecia pouco interessada em leva-lo.

Por precaução ele aproximou-se do homem e dobrou os joelhos até que ficasse na sua altura. – Não que eu esteja duvidando da sua enorme capacidade de fazer amigos, já percebi que vocês dois tem simpatia de sobra, mas eu posso oferecer a solução para o seu problema. – Ponderou sem nenhuma preocupação. A propagando é a alma do negócio. Ele precisava de dinheiro e o outro precisava de facilidade.

Apesar da idade o velho pareceu entender bem o que estava sendo oferecido, guardava alguma lucidez no fim das contas. Utilizando uma bengala que mais parecia um galho velho pego ao acaso, ele afastou um pouco Gerhardt. – Conheço bem a laia de pessoas como você. – Virou o rosto e cuspiu. – Matariam uma criança sem o menor remorso. – As palavras eram contrárias e arbitrárias, mas mesmo não sendo um grande observador ele sabia que talvez essa, fosse sua melhor chance.

Matei crianças enquanto dormiam, apenas quando os pais me pagaram para isso. – Rebateu sem pensar duas vezes. Um pouco de horror e entendimento alcançou os olhos amargurados e envoltos em rugas. Um silêncio incomodante se formou como um eucalipto que cresce rápido, mas sem beleza alguma. Jakub levantou-se vendo que nada poderia ocorrer, um pequeno blefe para mostrar que não se importava, apesar de se importar. O velho interviu. – Faça parecer um acidente. – Decretou utilizando do pedaço de madeira velho para se colocar de pé, mas não era o bastante. – Ninguém vive. – A última condição soou controvérsia, não mediria o tamanho do ódio do homem, afinal, o orgulho fere-se mais profundamente que a carne, e para todos os homens aquilo valia.

Quero metade do valor que pagaria à ele. – Era caro, iria sair caro. Com o dinheiro poderia ir para qualquer outro lugar, Pentos já não era mais uma opção. Se fosse mais jovem, talvez, ficasse e terminasse seus assuntos com Aeron e Toregg, mas agora, tudo o que ele pensava era um enorme mar de bonança. – Dois dias de vendas, é tudo que posso oferecer. – Replicou o velho. O mercenário deu de ombros, seria o suficiente. – Temos um acordo, então. – Falou firmando o acordo com um aperto de mãos e pegando algo que parecia um legume. – Desconte do meu pagamento.

Aguardar a noite cair talvez fosse a pior parte do trabalho. Consideremos aqui que talvez ele fosse mais um assassino do que um mercenário, mas em algum ponto tais ofícios devem se encontrar.

A propriedade de Varn Snapper não era tão requintada, apesar da discrepância de boa vida que tinha em comparação com seus vizinhos. O homem não era nenhum magister ou pessoa que aspirava a um alto cargo político. Parecia apenas um homem com sorte e que, com ela, tentava formar uma milícia ou tornar-se agiota nas partes em que a justiça mal podia alcançar em Pentos.

Sua propriedade deveria ocupar dois lotes de terra, não possuía muros e era cercada por outros domicílios, estes bem menores. Na frente a residência de madeira e pedra, atrás um pátio externo com poucas árvores, cerca malfeita e um poço. Poucos homens faziam rondas, indo fora e dentro da casa. Quem quer que fosse Varn Snapper, era certo de que não possuía uma guarda de qualidade, o que fazia total sentido. Em todo caso Jakub aguardou, paciência era parte importante de seu trabalho.

O alvorecer da noite diminuiu o fluxo de pessoas. Eram menos rondas e menos curiosos, apenas tavernas e prostíbulos permaneciam sendo frequentados, como toda grande cidade, a parte menos nobre de Pentos sofria com atividades ilícitas. Arruaceiros ou não, a violência era o suficiente para trancar as pessoas em suas casas.

”Não parece que vai ser fácil...”

Eram menos pessoas nas ruas, menos guardas preocupados com a segurança. Ao mesmo tempo que parecia um trabalho simples, também não parecia. Jakub foi obrigado a chegar até o topo de uma das casas vizinhas. A distância ainda era ingrata, mas já havia se habituado a ser um misto de alpinista e gatuno. O parapeito da janela bastou para chegar até a laje de barro cozido e madeira. O suporte frágil o fez medir com cautela os passos ali em cima. Caminhou até a ponta onde tinha acesso para o telhado de outra casa, felizmente este de madeira.

Andou pelas beiradas, que eram reforçadas com uma base mais sólida de pedra e algo que parecia cola de coelho, pouco usada em construções, mas barata para quebrar um galho. Quando finalmente chegou ao fim, teve acesso ao terreno da propriedade Snapper. – Dois guardas atrás, um na porta da frente e sabe-se lá quantos mais no interior. – A contagem rápida não era o suficiente, sabia que mesmo com aquilo seria como dar um tiro no escuro.

Desceu pela parte de trás, leia-se pendurou-se na borda onde a madeira estava podre, caiu sentado e por um milagre o som da queda foi abafado pelo lixo. Não ficou tempo o suficiente para pegar o cheiro. Cortou o terreno em passos ágeis e silenciosos invadindo pela parte detrás. A cerca baixa e malfeita permaneceu intacta. Flanqueou o terreno em direção a construção, sua esperança é que houvesse uma porta traseira e por ali conseguisse entrar. No entanto, ao seguir o caminho e passar pelos dois guardas, acabou deparando-se com um terceiro que guardava a porta.

Planos frustrados, era hora de se adaptar à nova realidade. Recuou para de onde veio, mas foi de encontro ao chão lamacento. O nítido splash, na terra molenga com água atraiu a atenção do homem que guardava a porta. Os xingamentos que voaram entre seus neurônios igualavam-se à uma chuva mortal de flechas. Cada vez mais o homem se aproximava e ele ficava acuado sem ter onde ir. A única opção era derramar sangue.

Tentou surpreender o homem surgindo de seu ponto cego, por onde a escuridão era maior. Em vão, claro, nem um cego moribundo cairia naquela. Sua única opção era se esquivar até onde era possível. Uma estocada perigosa passou rente a sua face, um corte superficial foi aberto na altura da maçã de seu rosto. Foi um alerta. Pensou em sacar a espada, mas tinha certeza que o barulho não seria abafado o suficiente para não chamar a atenção dos outros dois. Encurralado e com poucas chances. Se ver naquela posição era uma desgraça completa. O corte trafegou pelo ar na direção de seu pescoço.

Não tem jeito...

Teve que decidir rapidamente, morrer por um caprichou ou arriscar-se. Sacou a espada da cintura e aparou o golpe. O som voou mundo à fora quisesse ele ou não. Estalou os lábios, para o inferno tudo aquilo. Com a mão livre sacou o pequeno machado ferrugento das costas. O segundo golpe do homem vinha pelo alto, felizmente Jakub era mais rápido e principalmente, ainda conservada alguma técnica no combate de espadas. Utilizou a lâmina do machado para rebater o golpe, avançou, tocou um dos joelhos no chão e esticou o braço com a espada. A lâmina atravessou a pele e fincou-se na carne do homem. Não obstante, ele ainda tentou reagir e assim morreu afogado na lâmina.

Tempo para respirar lhe faltou. Assim que o corpo parou de se debater os passos dos outros dois já estava perto demais, rápido demais. O único tempo que ele teve foi de olhar sobre o ombro direito e ver um dos guardas de Varn brandindo uma espada longa e cega acima da cabeça. Parecia um açougueiro louco. Jakub rolou para a direita, mas pela direita vinha o segundo guarda. Colocou a espada com o corpo da lâmina na horizontal e assim segurou o golpe. O problema? O sujeito era forte e truculento, na dividida de forças ele sentiu o ombro fraquejar, o braço começou a tremer e assim, aos poucos ele foi cedendo.

Preparou-se para projetar o corpo para fora da linha do golpe e quando conseguiu sair lá vinha o outro neandertal com a fúria de mil Dothrakis com aquela espada cega que, apesar de não cortar com precisão iria transformá-lo num pernil. – Puta que pariu! – Agora podia xingar já que todos os envolvidos eram bem grandinhos. Tentou usar o machado para se defender e em parte deu certo, em parte. Ele foi derrubado como se uma manada de bois selvagens tivesse passado por cima dele sem aviso. O ombro doeu tanto que ele quase chorou. Sentiu a carne queimando e o melado só indicava que o ferimento tinha aberto novamente.

– Acaba com esse intrometido! – Pôde ouvir claramente um deles sugerindo. – Não mate ele, precisamos leva-lo até Varn, ele vai querer saber quem pagou por isso. – Retrucou o outro que dentre os dois parecia mais esperto.

Jakub não precisava ser sensitivo para saber que algo de errado não estava certo ali, no entanto, ainda estava meio atordoado demais para saber como proceder. Um dos homens se aproximou mais puxando-o pelo cabelo até que estivesse satisfeito em suspendê-lo e praticamente colocá-lo de pé. A regra da rua é clara, uma lição dolorosa a todos os homens, não importa idade, cor ou credo. Ele mirou bem e chutou com toda a força que podia entre as pernas do sujeito, nunca tinha visto um homem tão grande parecer tão inofensivo em posição fetal enquanto soltava suas lamúrias.

Mais desperto ele preparou-se para encarar o outro que falou algo como “sem honra”, “covarde” e qualquer coisa do gênero. Claro que o senhor Gerhardt não iria considerar a opinião de um homem que mais parecia um dragão com herpes. Avançou na tentativa de uma estocada rápida, mas adivinhem, lá vem a sorte sendo ingrata com ele. O sujeito escapou do golpe, segurou sua mão e riu. Só que, é como o ditado diz, cão velho, truques novos, ou coisa assim. Ele utilizou da firmeza com que o homem se segurava fazer uma acrobacia qualquer. Saltou acertando com os dois pés no peito do indivíduo e claro, caiu junto com ele.

A briga se alongou no solo, apesar de estar por cima, as mãos do homem que mais pareciam pás de obra pegaram seu pescoço e começaram o estrangulamento. Respirar era tarefa difícil e no instante seguinte, impossível. Ele tentou inutilmente furar seus olhos, soca-lo, mas nada parecia adiantar. Eis que sábios dizeres lhe deram força para agir: “Você é grande, mais não é dois. Eu sou pequeno, mas não sou metade”. Passou os braços por dentro dos do homem, empurrou suas juntas e se viu livre e ali, meus senhores, ele só parou de socar o homem quando o outro, surgiu chutando-o feito uma bola.

Caiu e rolou meia dúzia de passos. As costelas doíam pior que o ombro. O sujeito novamente levantou a pesada espada acima da cabeça e veio em sua direção, mas a sorte, voltou a agraciar o nada nobre mercenário. Caiu perto de sua espada e com ela em mãos ensinou ao homem uma lição que lordes aprendem ainda jovens. Se usa uma arma pesada não corte reto, erguendo-a acima de si mesmo, isso expõem não apenas seus flancos, mas todo o resto. Você ataca de um lado para o outro. Jakub foi na direção do sujeito, e como já esperado, sobrepujou sua velocidade e mira atravessando a lâmina quase que inteira na coxa do sujeito. Ele agonizou, caiu de joelhos, largou a espada. – Você ataca como um bode enlouquecido, meu caro. – Falou com certa dificuldade enquanto retirava a espada da perna do homem. Mirou seu trapézio e a afundou até a guarda. – Inocente demais.

Outro corpo caiu na lama, esfriando enquanto a terra tratava de cobrir pelo menos três centímetros. Finalmente com algum tempo para respirar ele tomou posse de suas armas e retirou o máximo de lama que pôde. Seguiu pela entrada de trás dando para a cozinha. Não havia o que se destacar ali, era um cômodo muito simples com uma despensa bem abastecida e fogão à lenha. Não questionou o porquê de algum caldeirão ter água fervendo sem ninguém para olhar e então seguiu caminho sempre silencioso. Passou por um corredor sem janelas, mas ornamentado com pinturas bem feias e toscas com cenas eróticas. Não perdeu tempo ali.

A casa parecia vazia sem contar é claro com os guardas. Ele agradeceu por isso, à sorte obviamente, ela era uma dama bem controvérsia, mas ainda assim era bom contar com sua graça. Não tinha certeza onde estava, mas tratou de entrar em cada cômodo apenas para se certificar. Quando dobrou o segundo corredor o som de risadas eufóricas, palavras de baixo calão e alguns gemidos contidos chegaram até seus ouvidos.

Por atrás de uma cortina, que na verdade era uma passagem para o próximo cômodo duas moças nuas saíram correndo cobrindo suas partes em direção ao fim do corredor. Jakub esgueirou-se para atrás de uma meia-parede até elas desaparecerem e ninguém mais sair daquela entrada. Por precaução havia escondido os três corpos na lateral da casa e assim, mesmo que elas saíssem não notariam os três cadáveres. Como havia entrado descalço, já que seus sapatos deixariam um rastro de lama em todo o local, ele tinha se saído bem em esconder qualquer rastro.

Os gemidos voltaram mais altos.

O que diabos esse Varn estava fazendo?

Passou pelo pequeno vão entre parede e cortina deparando-se com um enorme salão. Na outra extremidade da sala de mármore, os olhos de Varn Snapper quase afundavam em sua gordura quando o viu, deitando em um divã. Um eunuco conduziu uma pira com frutas e petiscos até os dedos rechonchudos do homem. Jakub aproximou-se escondendo-se atrás da mobília, assim seus passos nem mesmo ressoavam apesar do barulho. Havia talvez cinco meninos jovens, em torno dele na sala, alguns lhe dando afagos, um lhe dando comida na boca e outro estirado no chão claramente esgotado. Seus cabelos eram encaracolados e perfumados, por mais que a curiosidade o instigasse Jakub, ele não iria perguntar para quê Varn utilizava os rapazes.

Um gosto sem dúvida peculiar. – Comentou sem grandes pretensões finalmente se revelando.
– Você é? – Indagou Varn surpreso cobrindo rapidamente as partes enquanto seus companheiros se encolhiam num canto com medo.
Vamos dispensar apresentações, deve imaginar porque estou aqui. – Retrucou apoiando a espada sobre o ombro direito. A pouca luz que iluminava o local fazia tudo bem mais enigmático, mas claro, a banha coberta por joias era facilmente perceptível.

Notou Varn olhando tenso para um dos cantos da sala, uma onomatopeia alertou que algo ou alguém estava atrás dele. Por puro reflexo ele girou a espada e a empurrão no vão entre seu tronco e o braço. Um gemido contido e a carne perfurada. Um som metálico estalou colidindo contra o chão e logo depois o baque de um corpo. Jakub olhou de soslaio e viu o corpo nu de outro menino, não devia ter mais de quinze anos, ao lado do corpo cuja vida se esvaía um punhal estava no chão. Dobrou os joelhos apesar de tudo doer e pegou a pequena arma.

Não vamos fazer isso mais difícil do que já é. – Comentou o mercenário com uma boa dose de ironia. – Você aparentemente andou ocupado, de mais de uma maneira.

De seu divã o gordo lançou um olhar entediado através da sala. Mas naquelas condições as pessoas sempre tendem a obedecer. Com agilidade notável para alguém com seu volume, ele se levantou subitamente, gritou algo irracional e tentou correr para uma das entradas. Com toda a calma do mundo, com direito a fechar um dos olhos e morder a língua, Jakub posicionou o braço para trás, mirou e lançou o punhal. Não tinha como errar obviamente, mirou nas costas, mas acertou a bunda do homem que caiu.

Um dos garotos tentou correr para o lado oposto, sem muita paciência ele lançou o machado que acertou as costas do menino. Não foi uma morte rápida.

O grito fez sentido quando outro guarda surgiu. – Ah, então foi por isso que você gritou... – Concluiu deixando as palavras saírem. O homem não era alto e robusto como os outros, mas tinha uma espada e um escudo, que era mais do que ele tinha em mãos.
Um combate silencioso se iniciou. O homem avançou, um passo para a direita e ele se esquivou. Um passo para a esquerda e Jakub esquivou-se do segundo golpe, que acertou uma mesa antes repleta de frutas. Recuou até cair sentado no divã, uma cambalhota para trás serviu para esquivar-se do terceiro golpe e ver o belíssimo divã destruído em dois. – Se você continuar quebrando tudo eu vou ter que parar de me esquivar. – Péssima hora para seu sarcasmo, diga-se de passagem. Segundos depois o homem fingiu um ataque com a espada, mas socou utilizando o escudo. O golpe foi em cheio no rosto do mercenário que cambaleou para trás.

O homem certamente aproveitou o momento de vantagem e atacou. Errou o corte em diagonal que tentou fazer, mas o murro no estômago foi certeiro e forte o suficiente para fazer o mercenário perder o ar e cair de costas no chão. Em posição inferior ele teve de jogar as pernas para trás vendo a espada colidir contra o piso de pedra, utilizou do movimento para saltar e ficar de pé novamente. Não esperando por isso o guarda se assustou e levou um corte que traçou uma linha reta na extrema direita de seu dorso. Ele recuou e recuou, o máximo que pôde. Lutas são decididas com um golpe certeiro, você não vai desfrutar de uma resistência sobre-humana se fincarem uma espada em sua carne. Era uma lição valiosa.

Eles estavam à doze passos de distância um para o outro quando Jakub começou o trote leve na direção do homem. Quando a distância foi cortada para um terço do total ele saltou para o lado, flanqueando o último obstáculo e perfurando em diagonal seu pescoço à dentro para o tórax. Luta finalizada. Os eunucos encontravam-se assustados num canto da sala e o gordo mal conseguia rastejar para a porta.

– Espere, vamos negociar! Sou um homem generoso, te pago o dobro, não o triplo, do que te ofereceram!! – Barganhou pela própria vida vendo todos os seus esforços se tornando inúteis. Para o azar dele, Jakub nunca trocou de lado uma vez que firmava um contrato. – Infelizmente, minha lealdade não está em leilão, ela já foi comprada. – Falou encarando os olhos amedrontados até o momento que a espada atravessou seu pescoço e o brilho se esvaiu de seus orbes.

Voltou-se para os eunucos. Eram ossos do ofício, eles testemunharam tudo e por mais que prometessem sigilo era arriscado demais deixá-los ir. – Desculpe meninos. – Matou um por um a sangue frio. Depois de anos fazendo aquilo vidas inocentes já não pesavam na sua consciência, eram mero detalhe.

Aquilo foi uma chacina. Precisou matar as duas garotas que correram antes, por motivos óbvios é claro. Passou em todos os cômodos ateando fogo e colocando quaisquer pertences valiosos numa sacola de pano que deveria ter comportado batatas anteriormente. Só saiu quando aquilo ficou quente e fumacento demais para ficar. Era questão de tempo até a vizinhança acordar e ir ver o fato. Tinha certeza que alguns corpos, como o de Varn, e seus guardas já tinham pego fogo.

Correu para a saída de trás, jogou três baldes de água em si mesmo e a sacola com os pertences no fundo do poço. Sumiu antes dos primeiros curiosos olharem de suas janelas, havia um número quase infinito de histórias para o caso, só precisou deixar que a mente humana inventasse suas histórias mirabolantes.

No amanhecer do novo dia surgiu para o contratante que caminhava com dificuldade, tirando os trapos que cobriam a estrutura de madeira que servia de mostruário para a sua venda. – Lindo dia não? – Ele estava meio mal, meia noite de sono não bastou para descansar e cuidar da ferida aberta. Colocou um dos anéis do homem acima da mesa e mais nada precisou ser dito. O dinheiro veio em seguida, sem um agradecimento, é claro.

Antes de ir pra zona portuária jogou uma pequena bolsa com parte do dinheiro pela janela da viúva que o acolheu e cuidou. Tinha mais que o suficiente para alguns meses de tranquilidade. Com ele, o bastante para uma passagem só de ida e talvez algumas noites de bebedeira, apesar de achar que gastaria tudo para cuidar de velhas e novas feridas. Hora de visitar sua terra natal, Lorath, e talvez tirar umas semanas de folga.


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Re: [QUEST OP] A survivor

Mensagem por Styr em Sex Jul 08, 2016 9:01 pm

Avaliação de quest

Jakub Gerhardt


Gostei muito de como desenvolveu a missão, conseguiu conectar bem seu início com o passado do personagem, foi bem criativo no decorrer e por isso te dei nota máxima. Vi poucos erros e a organização do texto ficou bem feita. Definitivamente Jakub é um personagem que manterei um olho aberto.

Critérios de avaliação
+ Conteúdo e Coerência (35/40)
+ Estrutura e Coesão (27/30)
+ Enredo e Criatividade (20/20)
+ Ortografia e Organização (8/10)

Total (91/100)


+ 75% nos pontos de fama por estar no nível 1 de fama

Recompensas

+ 2 dragões de ouro
+ 200 pontos de fama (Tendência -16)
+ 150 pontos de acrobacia
+ 100 pontos de furtividade.





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Re: [QUEST OP] A survivor

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