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[RP fechada] Came Here To Forget

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[RP fechada] Came Here To Forget

Mensagem por Jakub Gerhardt em Sex Jun 24, 2016 11:34 pm

Came Here To Forget
Esta é uma RP fechada envolvendo apenas Jakub Gerhardt. Ela se passa em Pentos durante boa parte da noite e início da manhã. O mercenário encontra-se entre copos e devaneios numa taverna qualquer.


Última edição por Jakub Gerhardt em Dom Jul 10, 2016 7:55 pm, editado 1 vez(es)


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Re: [RP fechada] Came Here To Forget

Mensagem por Jakub Gerhardt em Sex Jun 24, 2016 11:46 pm



Til we can't remember

Can't remember what we came here to forget

O cheiro de madeira queimada e odores corpóreos nem tanto nobres, mas igualmente naturais. Aquele provavelmente era um dos poucos lugares onde homens podem ser homens sem se preocupar a atingir qualquer expectativa que caia sobre eles, o melhor tipo de lugar para falar o que se pensa, coçar a virilha indiscriminadamente e qualquer outra coisa que passe na mente fantasiosa sobre o universo masculino e seus locais por natureza. Bêbados, prostitutas, charlatões, bandidos, trombadinhas, toda a escória da sociedade estava reunida naquele pequeno estabelecimento de entretenimento. Claramente, ele não teria outro local para ser seu habitat natural se não aquele lugar.

Sentado numa mesa qualquer recheado de pessoas que nunca tinha visto na vida era no mínimo engraçado ouvir histórias de completos desconhecidos como se fossem seus melhores amigos. Eventualmente uma hora a pergunta perdurou entre cada um dos cinco envolvidos: “O que o trás aqui?”. Um após o outro as respostas foram dadas com uma satisfação muito vaga, a mesma de se acordar de manhã e deparar-se com um céu cinzento. Há a felicidade de não estar caindo um temporal, mas a tristeza de ter de passar um dia cor de cinza. A resposta de Jakub saiu dos lábios com extrema facilidade, talvez graças as lábios e garganta molhados pela bebida em seu copo de madeira mais gasto que o casco de um cavalo velho. – Estou aqui apenas pelo vinho e mulheres de honra questionável. – um brinde pela resposta mais filosófica de alguém que nem mesmo sabia escrever o próprio nome.

Os deuses não prestam atenção à tolos, diziam a eles, e com total razão, um antro fedido a carvão, enxofre e salitre não poderia atrair os olhares benevolentes de qualquer santidade que se prese. Mas assuntos sobre homens que não existem e milagres fantasiosos eram completamente deixados de lado pela mente simplista do mercenário. Um pequeno lapso temporal atingiu sua mente obrigando os olhos a fecharem-se. Talvez estar no vigésimo segundo copo estivesse fazendo efeito sobre o corpo nem tão atlético do rapaz. Piscou os olhos e as córneas arderam como se fosse um garanhão negro e selvagem sendo marcado no lombo por um comerciante de cavalos, memórias fortemente retroativas tomaram sua mente no pequeno instante em que a razão sucumbiu a algum sentimentalismo fajuto. O que foi Gerhardt? Você nunca foi do tipo de bêbado que se prende em lamúrias do passado e era melhor evitar esse péssimo hábito, vai te poupar ver que sua vida até é uma grande torre de merda ornamentada delicadamente com um filete de erva fina no topo.

Encheu o copo uma vez mais confirmando que era um dos poucos que ainda não falavam tantas bobagens. O anúncio de que não estava nada bem foi bem claro quando podia jurar que a maldita meretriz de anos atrás sussurrava sapecagens em sua orelha. Na realidade ele ficou bastante decepcionado quando olhou para trás e viu um homem tão gordo que poderia engolir dois barris sem dificuldade coçando o sovaco e cheirando os dedos logo em seguida, parecendo ter aprovado o odor exótico vindo de partes nada nobres. A tonteira o acertou feito o coice da égua parda que tomou quando garoto, o enjoo veio logo em seguida como um ator figurante corre para compor a cena. A cabeça balançou com a maestria de um saco de batatas até que finalmente ele terminou o vigésimo quinto copo e se deu por vencido, no ápice da madrugada, rosto, braços e parte do tronco do homem apoiaram-se sobre a mesa de madeira tão limpa que a camada de musgo parecia uma toalha de mesa. Teria tido uma noite tranquila, mas logo memórias de um passado longínquo vieram em sua mente atormentar seus sonhos.

[...]

Longe demais de Bravos e ainda mais distante de Pentos, boa parte da vida do menino de corpo magro e esguio se deu em Lorath. Descrições eram desnecessárias, a cidade é uma desgraça completa e todos sabem disso. A mais pobre das cidades livres, a mais isolada e a mais atrasada, a tríplice da sagrada lamúria, foi nesse local nada nobre que Jakub aprendeu seu ofício e se você pensa que foi fácil acredite, você não sabe de nada. Apesar de ele poder se recordar de sua enorme coleção de histórias tristes de si mesmo a coisa que costumava lhe tomar nesses pequenos momentos entre o sentimentalismo e a bebedeira são os treinos. Você não se torna mercenário pensando que a espada é um super palito de dente, com sorte você encontra alguém com boa vontade e paciência para segurar a lâmina direito e não decepar a própria mão fazendo uso da arma.

As lembranças vívidas eram tão realistas que tudo era visto claramente. Acordava na cabana de entulho a 10km do mar. Para ele sempre era fácil observar o cenário em volta como uma sanfona de angras estreitas e baías serrilhadas. As praias, é um exagero chama-las de praias, eram de cascalho e rochas e até um dia inteiro de sol as deixa literal e figurativamente frias. Uma antiga fazenda que ficava a 1600 metros para o interior, e a residência doméstica mais próxima fica fora de vista e do alcance dos ouvidos no outro lado da linha do horizonte, onde se sai da estrada principal e pega-se a trilha aberta no meio do cenário catastrófico. Infelizmente o local onde ele viveu era completamente descartável. Ninguém importante nasceu aqui, e uma vítima poderia gritar até a cabeça estourar sem que fosse ouvida por nada além de aranhas e camundongos.

Jakub se via com clareza fazendo uma longa e elaborada caminhada simbólica a caminho do cômodo que seria o último resquício de humanidade que ele teria. Era assim que começavam seus dias no auge da adolescência, talvez você vá querer saber como os caminhos da vida o guiaram até ali, mas compreenda é puramente história para boi dormir naquele ponto, até porque o flashback era dele e preferia não pensar, nem sonhar, no que aconteceu antes. O tradicional pescotapa do velho caolho o despertava definitivamente e normalmente jogando-o no chão para cumprimentar as irmãs terra e pedra. Tem jeito melhor que começar um treinamento ganhando um grande tapa na nuca e beijando o chão? Claro que não, então não pensem que havia alguma relação paternal, fraternal ou de algum tipo amorosa ali. Aquele velho era um péssimo tutor e ainda assim foi quem teve a bondade de acolher um pirralho mendigo pelo simples fato de achar que era hora de deixar uma espécie de legado.

Tenho certeza que vai ser um grande dia. – a voz embolada do jovem Jakub saía embaralhando as próprias palavras, mas conseguindo dar algum sentido a elas pelo menos.
– Se levasse esse treinamento a sério não teria tido terra como café da manhã. – respondia o homem de idade acentuada ajeitando o tecido que cobria um dos olhos.
Isso não é treinamento nem que você desejasse de todo o seu coração ao deus Cego. – o queixo ardia mas a dor era natural, você simplesmente aprende a ignorar depois de conviver tempo o suficiente com ela, é como uma esposa chata.

O olhar de reprovação inibiu quaisquer outras palavras que o garoto pudesse ter, apenas caminhou em direção a um pedaço de tronco e o colocou nas costas, por algum motivo o velho achava que era uma ótima forma de aquecimento mandar um moleque de 14 anos carregar um pedaço de tronco nas costas e andar em círculos por meia hora, felizmente o clima estava agradável naquele dia, o que pelo menos não o fazia se sentir uma toupeira que cavava seus túneis despreocupadamente e se deparou com uma fornalha. Por outro motivo que Jakub desconhece mesmo depois de uma década, o velho também achava que a melhor forma de se treinar espada quando se é novo é bater num poste de pedra em forma de cruz. Lógico que na condição dele ele não iria julgar a metodologia de trabalho de ninguém, até porque o ponto alto do dia era bater numa pedra rudemente esculpida.

– Se cada vez que você bater em alguém continuar abrindo os braços assim alguém terá a boa vontade de cortá-los fora. – um misto não tão bem definido entre conselho e esporro se fazia bem audível. Como era mesmo que ele devia agir? Ah claro, mantenha uma boa base para melhorar seu equilíbrio, um pé à frente do outro numa linha diagonal, ombros acompanhando inversamente o movimento do outro buscando manterem-se sempre alinhados e, por fim, jamais fique parado por muito tempo no mesmo ponto. Gerhardt tratou de seguir as orientações, era melhor que podia fazer e colocar um pouco de vontade poderia ajuda-lo. Dava pequenos saltos e rápidas passadas para os lados, hora avançando contra a impiedosa rocha, hora recuando como se a mesma tivesse a fúria de Boash e a Antiga Valíria. Estocada e corte, afastar-se, saltar para o lado, repetir o ataque, sempre fazendo o estilo entrar na guarda e sair da guarda. Não era necessário ser um especialista para ver que aquilo traria algum resultado. Tinha em mãos uma espada curta de madeira, que normalmente pesa mais que uma aço ou ferro nas mesmas proporções. Aos poucos o corpo achou natural o peso a mais, os braços magrelos não se sentiam mais incomodados depois de dias doloridos como se tivessem sido atropelados por uma manada de cavalos Dothraki,

Majestosas eram aquelas manhãs e sempre que errava algo, fosse uma base, um passo em vão, um golpe fraco ou mesmo um movimento irresponsável o velho pegava um pedaço de galho e batia em suas pernas. Com o sol atingindo o pico acontecia uma ocasional parada para o desjejum, claro que considerando o estado de penúria que vivia Lorath nunca tinham o suficiente e era o que sempre deixava as coisas mais interessantes. Caçar pequenos roedores numa das ruínas próximas dos labirintos e logo depois voltar as lições.

Venha para cá, pegue a espada e me mostre o que aprendeu. – a rara oportunidade de apanhar para o velho e ver o quanto você é ruim naquilo que faz o dia todo, não era exatamente e melhor maneira de levantar a moral de uma pessoa, mas bem, ele preferia ver sobre um prisma diferente, se tudo fosse fácil não teria a menor graça.

Respirou fundo ficando a 6 passos de distância do homem. No braço direito a mesma espada de madeira de antes, no esquerdo um escudo de madeira que cobria uma área de 8 centímetros à frente do punho e 10 centímetros após o cotovelo. As armas inofensivas já não pesavam tanto, afinal já fazia aquilo a alguns anos. O típico silêncio perdurou por alguns instantes, encarava seu mestre, apesar de ser razoavelmente estranho encarar um homem que só possui um dos olhos. Como todo adolescente não tinha muita paciência e então sempre era o primeiro atacar, o resultado bem, o estalo da madeira em suas costas talvez assustasse as aves em árvores próximas, e como sempre, após um erro, uma lição. – Você ataca como um bode enlouquecido, analise a situação e pense rápido.

O corpo sujo de terra e suor erguia-se teimosamente. O que ele sabia? Seu alcance era menor pelo fato de ser menor, era mais fraco pois pesava bem menos, não tinha nenhuma técnica e parecia um açougueiro enlouquecido correndo atrás de uma vaca com o cutelo, em compensação era mais rápido. Hora de mostrar que treinava para algo mais do que caçar ratos e ratazanas, com sorte entraria em algum exército particular em terra firme e não naquela maldita ilha jogada ao esquecimento. Passou a língua entre os lábios e avançou com passadas firmes, a madeira da espada seguia em linha reta na tentativa de uma estocada, mas logo saiu de seu curso com o choque da madeira da outra estada, leia-se um pedaço de pau caprichosamente improvisado como espada. Jakub podia ver claramente o contra-ataque indo em direção a sua testa, um galo certamente iria se formar, mas acabou se surpreendendo com a agilidade do reflexo. Ergueu o braço esquerdo colocando o escudo frente ao rosto e flexionando levemente os joelhos para aguentar o impacto. Aguentou. Não acreditou, mas logo se recuperou.

Não podia contar com a sorte, abaixou o escudo para ver a situação, o velho recuava preparando-se para mais um golpe. Ele rodou em volta do próprio eixo, combateu o pedaço de pau com um movimento em diagonal com a espada abrindo-lhe a guarda. A cena era simplesmente nova, nunca tinha treinado de forma tão aplicada, uma oportunidade surgia feito uma puta velha abrindo suas pernas. Sem pestanejar ele avançou com tudo para o choque frontal do encontrão colocando o escudo na frente, mas logo a experiência provou-se mais valiosa que a agilidade, o homem saltou para o lado, Jakub tropeçou nos próprios pés que não encontraram o choque do movimento e rolou no chão. Desapontado, mas não surpreso ele precisou sacudir a cabeça para livrar-se um pouco da terra que grudava em seu rosto. Logo testemunhou o golpe vindo de cima em direção a seu torso, rolou para a direita colocando-se de pé e escondendo-se atrás do escudo. Forçou os pés no chão que deslizaram sobre a terra por meros 3 centímetros com o forte impactado do segundo golpe. Nota mental, velhos e caolhos podem ser mais fortes do que se pensa.

Bufou agitando os fios castanhos que caíam sobre o rosto, o terceiro golpe vinha em diagonal de baixo para cima, da esquerda para a direita. Trincou os dentes recuando um passo e sentindo a madeira passar tão perto de seu rosto que poderia sentir cócegas na bochecha. Avançou novamente como a mula teimosa que era, diminuiu drasticamente a distância entre eles, afinal era mais rápido. Abaixou o escudo e ergueu a espada frente ao rosto, o pedaço de pau colidiu contra a espada de madeira. Sabia que não ia aguentar uma dividida de forças contra aquele homem, era magro, franzino e desnutrido demais para se dar a esse luxo. Exibiu sua pior careta na tentativa de aumentar a força, claro que foi inútil. Num ápice da estratégia deslizou o corpo da arma para cima e jogou o corpo para a direita, com sorte acabou se prevenindo de outro golpe que passou em branco. Os olhos arregalados denunciavam bem seu estado mental de pura agitação, curvou o tronco para frente e rodou em volta do próprio eixo novamente, com isso acabou escapando da pancada que lhe acertaria bem nas têmporas. Ergueu-se como um dragão emergente saltando com o escudo à cima da cabeça. Acertou em cheio o queixo do velho que cambaleou para trás levemente desnorteado.

Sem pensar duas vezes ele jogou a espada para o alto passando a segurá-la pela parte que seria a lâmina, esticou-se o máximo que pôde para aumentar sua envergadura e acertar com a guarda da espada no calcanhar do velho. Encaixou o vértice entre lâmina e guarda  naquele região e puxou fazendo o homem cair de bunda no chão. Ele tentou reagir mirando aquele pedaço de madeira de forma sorrateira nas pernas do garoto, mas claro, o escudo estava muito bem posicionado para fazer o movimento em direção oposta e desarmá-lo. Virou a espada novamente voltando a segurá-la pelo cabo e apontando a ponta da madeira para o nariz quebrado do velhote. – Parece que o jogo virou não é mesmo? – falou esbanjando confiança. Talvez todo o tempo investido batendo numa pedra e apanhando nos treinos diários com o velhote não fossem em vão. E certamente não foram, afinal ele estava vivo até hoje, uma pena que depois daquela exibição de gala foi surpreendido por uma rasteira e quando deu por si estava com o escudo frente ao corpo aguentando as pancadas até desistir porque já estava socando o próprio rosto.

– Você está melhorando garoto, talvez um dia seja um cavaleiro. – os dois se entreolharam e riram até não aguentar mais, muitos destinos poderia ter Jakub Gerhardt, mas ele sabia que ser cavaleiro ou qualquer coisa que envolvesse uma vida confortável não estava entre eles.

[...]

Longe do passado ele acordou com quando sentiu mãozinhas pequenas mexendo em seus bolsos, conseguiu agarrar o braço esguio do moleque que tentava lhe roubar. A noite já tinha se convertido em dia, todos na taverna pareciam mortos-vivos recém-saídos da cova, menos os trombadinhas que faziam a festa nos mais bêbados. Teria dado um bom peteleco na orelha do pivete, mas acabou vendo a si mesmo quando menor na imagem daquela criança esquecida por todos os deuses que você queira nomear. Apenas soltou a criança que mesmo bem pequenina engoliu o choro e o encarou como um filhote raivoso. – Se eu fosse você tinha cortado uma das mãos. – comentou alguém na mesa vizinha. Jakub ergueu o queixo olhando o garoto por cima. – Não, não vê os olhos dele? Este é um homenzinho com sonhos de sangue e glória. – fez uma breve pausa para bebericar o restante de bebida em seu copo. – Ele me é estranhamente familiar.

Spoiler:
Habilidade Treinada: Espada


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Re: [RP fechada] Came Here To Forget

Mensagem por The Crone em Ter Jun 28, 2016 9:20 pm

Avaliação de treino de habilidade
[Jakub Gerhardt]
Encontrei muitos erros de digitação e pontuação, fora que deixou algumas frases demasiadas longas e sem coesão alguma, entretanto sua criatividade para com o treino foi muito inteligente e detalhada.


Critérios de avaliação
+ Conteúdo e Coerência (38/40)
+ Estrutura e Coesão (26/30)
+ Enredo e Criatividade (20/20)
+ Ortografia e Organização (6/10)

Total (90/100)


+ 15% de experiência pelo atributo de inteligência com 6 pontos
- 10% de experiência por ter a habilidade no nível 3

Recompensas
+ 95 pontos de experiência em espada


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Re: [RP fechada] Came Here To Forget

Mensagem por Jakub Gerhardt em Dom Jul 10, 2016 10:48 pm



Til we can't remember

Can't remember what we came here to forget
O fato era inegável, não havia como lutar contra a maré. Na maioria das noites seus passos o guiavam para apenas um lugar. Um pequeno ponto completamente desprezível da grandiosa Pentos. O local perfeito para ser o que quiser, onde ninguém tem vergonha de ser o que é. Parece uma visão um tanto quanto romântica de uma taverna, e de fato é, algo bem ideológico.

Jakub parou de questionar, frequentar tanto um local poderia ser um mau hábito. Amizades eram coisas impensáveis, mas cerveja? Não há motivos para não compartilhar o que o a bebida pode unir. Esse era a principal verdade pela qual ele sempre terminava ali. Você não precisa de mais do que alguns copos numa mesa cheia, para iniciar um falatório que só terminará quando o sol nascer. E isso, caros senhores, era só mais uma noite qualquer, onde homens escondiam-se do frio, deixando a bebida umedecer a garganta e procurando conforto nos braços de mulheres baratas, quando convém é claro.

– Gerhardt não é? – nariz curvado, boca miúda, os olhos pareciam encolhidos dentro da face. Foram as rápidas observações que Jakub pensou sobre o homem que logo direcionou sua palavra para ele. Simplesmente odiava quando o chamavam pelo sobrenome. – Sente-se conosco, a próxima caneca é por minha conta!

Novamente não questionou, jamais negaria uma caneca de bebida, ainda mais de graça. Olhou em volta, reconhecia de outras ocasiões, mas bem, deu de ombros nada daquilo era relevante dado o momento. – A que devemos a generosidade? – apoiou o cinto e tudo que se prendia nele nas costas da cadeira. Acomodou-se, tomou o caneco em mãos e sentiu-se mais aliviado do dia conturbado.

– Alguns homens estão se voluntariando para entrar numa milícia de Ellion Foral. – ponderou um dos integrantes da mesa antes de esconder o rosto atrás da caneca.
– Meu menino e jovem e valente, dizem que a milícia consegue uma boa renda. – o pai do rapaz estava claramente mais interessado nos ganhos do que nos riscos que o garoto poderia correr.
– Todos sabemos bem como essas milícias terminam. Logo chegará nos ouvidos de um magíster, ele enviará soldados, os que não morrerem serão presos... – as palavras mais pessimistas saíam da boca de Joran Bayle. Ele era um homem bem esforçado, mas completamente realista, provavelmente amargurado de ter trocado Braavos por Pentos em busca de ascensão econômica e não ter conseguido nenhum avanço.
– O garoto tem uma chance. Lembram-se de como demoraram para pegar o bando de Colton Peckleton? – novamente tomava a palavra Andren Blest, o sujeito que se escondera atrás da caneca instantes antes. Diferente dos outros, este conservava uma forma mais redonda, mas uma barba invejável.
– O maldito Peckleton! Até hoje me deve duas galinhas!! – falou, virou o rosto e cuspiu para o chão em forma de escárnio. Boatos que Joran havia emprestado dinheiro para Peckleton, que foi preso sem ressarcimento.
– Mas a filha do Peckleton... – o comentário era tecido por Arton Sentel, estava à direita de Jakub, claramente quem entre eles mais se afundava na bebida. – Aquela menina poderia ganhar horrores com aquela boquinha miúda!

As risadas finalmente se iniciaram, provavelmente todos compartilharam da opinião de Arton o que originou uma série de comentários nada honráveis. Entre canecas derramadas e conversas pouco relevantes, algumas palavras acabaram originando uma exposição desnecessária de fatos.

– O seu garoto ao menos sabe manejar uma espada, fiquei sabendo que Ellion está sendo bem rigoroso... – retrucou Joran. Um silêncio desconfortável tomou a mesa, pela expressão do homem estava claro que seu filho talvez nunca tivesse tido uma arma em mãos. É difícil trocar a enxada pela espada, a menor menção do treinamento fazia com que Jakub se recordasse dos anos passados. – Para a sua sorte tens aqui nessa mesa o melhor cavaleiro da região. – as risadas já surgiam antes mesmo que Arton conseguisse terminar de falar. Referia-se ao único mercenário na mesa, o que apontava para Gerhardt. Uma piada, mas não das melhores.

Vocês falam como se eu pudesse ensinar qualquer coisa para o rapaz. – um pouco de humildade não fazia mal à ninguém. – Demorei anos só para me acostumar com o peso de uma espada e ainda assim prefiro as menores do que essas coisas feitas para matar cavalo.

Olhares correram entre os envolvidos, como o deslizar de uma víbora por um campo gramado. A sensação de segurança por parte de Jakub sumiu no exato instante que pousou o copo de volta à mesa e notou os olhares. Ele odiava aquilo, já sabia como iria terminar.

A filha do dono da taverna aproximou-se deles, trazendo uma travessa repleta de pão preto e tripas de porco fritas e temperadas com alguma pimenta. Sem cerimônias todos atacaram a comida que apesar de ter um cheiro forte, conseguia ser apetitosa e razoavelmente barata. Poucas pessoas aproveitavam tripa de porco, as que aproveitavam, sabiam fazer um ótimo tira gosto.

A comida amenizou um pouco o efeito da bebida, mesmo não tendo demorado para mais uma rodada ser fartamente distribuída à todos os presentes. Arton olhou para Joran, o sorriso nos lábios reprimido na fútil tentativa de parecer sério era quase convincente. Mikal Fyste, o pai de família animado pela chance do filho entrar numa milícia, parecia esperar algumas palavras em especial. Andren, impaciente, tomou a palavra.

– Dê alguma dica de valor ao homem, Jakub! Você é o que mais tem afinidade com essas coisas entre nós.
O que posso dizer? O lance está nos pés. – tentou inventar qualquer besteira para se safar, obviamente não daria certo.
– Nos pés? – as palavras saíram quase em uníssono.

As palavras misturaram-se à falta de assunto típica, mas estava particularmente difícil ficar bêbado naquela noite. De um jeito muito impensado o assunto tornou-se o senhor Gerhardt, e logo ele estava sendo cobrado para falar de seu passado, já antes comentado, mas nunca amplamente divulgado. Ele não tinha problema com o fato, mas em todo o caso, as lembranças vívidas sempre se tornavam memórias mais fáceis de recordar do que de contar.

[...]

O estalo da madeira contra as costas ossudas do jovem Jakub em plena adolescência era um som frequente em sua memória. Só ele sabia como era um completo desastre no início do treinamento. Magro e fraco, não houve técnica ou talento que pudesse salvá-lo do destino que o aguardou. Pelo contrário, foi na base de uma dieta diferenciada e comprometimento que, além de voltar a ocupar um peso decente, acabou conseguindo ser uma desgraça menor. No fundo ele sabia que aquela era a sua melhor chance, e iria agarrá-la.

Novamente a obra de pouco talento artesanal a qual chamavam de espada de treino ou espada de madeira, colidia contra as suas costas. A marca vermelha se sobressaía acima da pela branca. A epiderme ardia como brasa em fim de fogueira. Obviamente ele caiu no chão soltando a espada e levando as mãos às costas na tentativa de massagear o local e amenizar a dor.

– Se continuar abaixando a cabeça ao atacar, você vai perder. – o velho caolho se aproximava dele. – Se continuar atacando sem pensar, você vai perder. – pousou a espada de madeira à direita do pequeno Jakub. – Se continuar achando que é mais forte que seu adversário, você vai perder. – dobrou os joelhos até ficar razoavelmente na mesma altura que o garoto. – E se você perder, vai morrer.

Teoricamente a metodologia do homem não era a mais indicada para se ensinar um menino a dificuldade que a vida pode trazer, mas bem, se deu certo com ele, por que não daria à uma segunda pessoa?

O homem de meia idade, a quem Jakub normalmente se referia, carinhosamente como: velho-caolho, velhote, ancião, bruxo-velho, rabo-de-arraia, papagaio-gordo; e uma completa e vasta gama de apelidos chamava-se Grenn Lake. Até onde ele sabia, tratava-se de um antigo mercenário que teria nascido no subúrbio de Essos e encontrado sua vocação depois de um empurrãozinho. Aparentemente, ele queria fazer a mesma coisa com Jakub, pelo simples fato de querer dar prosseguimento à alguma tradição louca e que o menino não iria compreender nem agora nem nunca.

Sem mais histórias tristes ele o ajudou a ficar de pé. O olhar de desdém estampado no rosto marcado pela idade e algumas cicatrizes revelava certa decepção. Por outro lado, tudo o que o menino de pouco mais de treze anos de idade oferecia, era a cara da exaustão, mais clara em seu rosto que a gula de um macaco-prego ao notar um cacho de bananas dando sopa.

– Fique do meu lado. – a voz do velho já não mostrava a quase infinita paciência de antes. Sem reclamar ou retrucar ele meneou a cabeça e ficou como pedido. – Um pé à frente, ambos alinhados em diagonal. – Grenn abandonou a posição e passou a andar ao redor, como se fiscalizasse para ver se estava tudo sendo feito corretamente. Em dado momento ele chutou a parte de trás do joelho da perna da frente, quando Jakub parecia que iria perder o equilíbrio ele segurou seus ombros, e os colocou alinhado aos pés. Exerceu uma certa pressão em sua nuca forçando-o a abaixar um pouco a cabeça, mas logo ergueu de leve seu queixo. Por fim deu uma leve pancada na barriga do menino e quando este se contorceu ele deu um tapa em suas costas, controlando até onde ele deveria se encurvar.

– Eu diria que essa é a posição mais básica que pode fazer. Você tem uma boa base de equilíbrio, está levemente de lado, abdómen contorcido e guarda alta. – tentou chutá-lo ao mesmo tempo que o orientou a levantar o pé da frente unindo batata da perna à coxa. – Se tentarem um golpe por baixo, você se defende. – fingiu que daria um soco e depois repetiu o movimento usando a espada. Orientou Jakub à flexionar o tronco e deslocar, minimamente, o eixo de equilíbrio para o lado oposto do golpe. – Se tentarem te golpear no tronco, você escapa com facilidade nessa evasiva. – por fim tentou um golpe na cabeça. O primeiro exigiu que Jakub erguesse a mão dobrando o braço ao lado da orelha, o segundo que ele se abaixasse. – Se tentarem acertar sua cabeça, você se defende ou esquiva.

De todo modo era bem complicado para que ele pegasse de início, apesar de não ser a primeira vez que estava tendo essa aula. A repetição o forçava a se lembrar dos movimentos e fixa-los bem, não sabia dizer se era nisso que se encontrava a técnica, mas sabia que era algo que poderia ajudar.

A pausa para o almoço chegava quando o sol atingia seu pico no céu, tempo para uma refeição exótica à base de grãos pobres, pão duro e a carne que tinha para ser oferecido. Lorath era um local pobre, certas coisas eram bem caras, carne em si era um luxo, mas não se você cozinhar alguns insetos tão bem Grenn Lake. Na maior parte de sua vida, Jakub teve de se acostumar com pão, água, insetos, frutas, vegetais e principalmente mingau de cevada.

Outros treinos teóricos ocupavam o restante do dia. Grenn não sabia ser muito didático, mas talvez isso não fosse muito necessário. O homem entregou a espada e escudo improvisados para o magrelo Jakub, que com dificuldade conseguia aguentar o peso do equipamento.

– Vou te dizer uma coisa, muitos atributos decidirão seu futuro quando estiver num combate. Mas movimentos em sequência, que você já saiba prever, vão te ajudar muito. Lutar com espada vai envolver entender seu adversário e mais uma longa lista. – ele fez uma breve pausa enquanto pigarreava, o ar seco do local naquela época do ano era tão ingrato quanto o sol. – Vou começar com três deles.

Posicionado frente à Jakub ele começou. – Direita, esquerda, erga o escudo, dobre o joelho enfie a espada na barriga, entendeu? – a longa série de repetição se iniciou. Sobre a base de guarda mostrada previamente o rapaz começou. Um corte de baixo para cima, direita para esquerda, um segundo corte em movimento oposto, alinhou os ombros com os pés novamente, deu meio passo, ergueu o escudo acima da cabeça e simulou enfiar a espada em algo. O movimento se repetiu uma, duas, três vezes e assim continuou até Grenn parecer satisfeito.

– Segundo. – tomou a frente novamente. – Erga o escudo, chute com a perna da frente, mire o pescoço. – o que ocorreu depois é de conhecimento geral. Repetição e repetição, incansável até a noite começar a cair. E nesse momento que o céu trocava a claridade pelo tom cinza, Grenn ensinou o terceiro. – Terceiro, quando ver o golpe vindo pelo alto, dê um passo para o flanco do mesmo lado. Se ele vir da direita, o previna indo antes para a direita. Você vai ter uma brecha. Fala um corte limpo na horizontal e meia altura, outro de cima para baixo e por fim um golpe com o escudo.

O não entendimento de Jakub era bem notável, momentos de alguém que aprende que o escudo também pode ser um golpe de ataque. A ordem foi que ele continuasse treinando as três sequências no tempo que Grenn levava para acender a fogueira e uma tocha próxima à entrada do barraco.

– Vamos ver o resultado disso. – falou pegando espada e escudo novamente. – Eu tirei na ordem que te ensinei e você fará, certo? – o gesto positivo foi bem simples. Ele estava exausto, mas não iria parar, principalmente agora que imaginava ver algum progresso em todo aquele trabalho.

– Primeiro! – a voz soou estridente. Gerhardt avançou seguindo o protocolo. O primeiro ataque veio com a espada num corte pela direita, defendido pelo escudo adversário, o segundo foi pelo lado oposto e teve o mesmo fim. A pequena brecha entre esses dois movimentos daria uma posição de ataque ao oponente, e Grenn seguiu a abertura erguendo a mão para tentar acertá-lo pelo alto. Jakub colocou o escudo sobre a cabeça defendendo o golpe e encontrando o torso livre de Grenn para atacar. O homem claramente rodou em volta do próprio eixo para se livrar da estocada.

– Segundo! – aquilo já havia soado como ordem, mas não mudava em nada. A espada adversária preparava um movimento em diagonal, de cima para baixo. Jakub levantou o escudo fazendo-o colidir contra a espada, defendeu. A velocidade do menino acabou surpreendendo seu treinador que não conseguiu esboçar reação ao chute que o acertou na boca do estômago. Ele se desequilibrou e na tentativa de se recuperar a ponta da espada de madeira de seu pequeno aluno parou abaixo do seu queixo. Ambos se entreolharam e riram.

– Terceiro! – falou rápido, já indo para cima, tentando surpreendê-lo. Os olhos de Jakub se esbugalharam, uma careta de dúvida e pavor tomou seu rosto. A espada de madeira vinha pela direita e, de forma embolada, o garoto conseguiu dobrar de leve o tronco inclinando-o para frente e dar um passo para o lado. Como se visse tudo em velocidade baixa ele enxergou a brecha na guarda que Grenn falara anteriormente. Acertou a espada em corte limpo e reto, na altura da barriga. A pancada forçou o velho a trincar os dentes. Jakub executou o segundo corte de cima para baixo, obrigou o homem a cair no chão sentado. O escudo coroou a performance acertando-o no rosto.

[...]

A história de Jakub, para aquele dia, terminou ali. Todos da mesa ouviam interessados enquanto bebericavam seu copo. Ele estava um pouco mais sério que o de costume, mas era apenas reflexo de algumas memórias confortáveis que o levavam à um tempo que ele reviveria, se pudesse.

– Então é isso? – comentou apressado Joran. – Seu filho está perdido se pegar um cara como ele...
– Mas a maioria aqui são açougueiros amadores, não vai ser difícil. – retrucou Arton.
Não é algo que se aprende da noite pro dia e eu não estou nem perto de ser bom nisso. – a lucidez parecia ter tomado o mercenário. – Mas apenas diga a ele do lance dos pés. Alinhados em diagonal, afastados na distância dos ombros, perna da frente levemente flexionada. Isso por si só já vai obrigar a ele acertar os ombros. Fale para ele não abaixar muito o braço do escudo, e o resto...

Não tinha muito mais o que dizer. Ele nem de longe era um mestre no assunto e com certeza haveria gente melhor para orientar o rapaz. Em todo o caso era simples: manter-se vivo. O resto da noite, bem, podemos imaginar como foi. Piadas sujas, bebidas derramadas e muitas risadas.

Spoiler:
Habilidade Treinada: Espada


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Re: [RP fechada] Came Here To Forget

Mensagem por R'hllor em Ter Jul 12, 2016 2:34 am

Avaliação de treino de habilidade

Jakub Gerhardt

   
Contextualização criativa, assim como usar uma lembrança como o treino de espada, que foi muito bem narrado e detalhado, mostrando pensamentos do personagem nos momentos corretos. Parabéns! Alguns leves erros de ortografia.

   
Critérios de avaliação
   

   + Conteúdo e Coerência (40/40)
   + Estrutura e Coesão (30/30)
   + Enredo e Criatividade (20/20)
   + Ortografia e Organização (9/10)

   
Total (99/100)
   


   + 15% de experiência pelo atributo de inteligência com 6 pontos
   - 10% de experiência por ter a habilidade no nível 3

   
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Re: [RP fechada] Came Here To Forget

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